"Se é verdade que a Educação tem passado por amplas e rápidas alterações, também é verdade que o papel do professor se tornou muito mais complexo do que pensávamos tempos atrás, quando acreditávamos que o conhecimento se fazia através do ensino transmissivo.
Para ser professor (hoje) é preciso conhecer o conteúdo a ser ensinado, saber como o aluno constrói o seu conhecimento e as perturbações que podem ocorrer durante o seu desenvolvimento, mas é preciso também saber trabalhar os grupos, lidar com as emoções e sentimentos, saber interagir com diferentes culturas, diferentes valores e diferentes pessoas (lidar com a diferença do outro).
O Sociodrama pode ser utilizado onde esteja presente um grupo que queira reflectir sobre um assunto, investigar algum aspecto da realidade ou desenvolver papéis e trabalhar relações. O seu objectivo não é a produção dramática (porque não é um teatro), mas é a reflexão e as lições que se pode aprender a partir da representação.
Ao tomar o papel de uma criança com NEE (Necessidades Educativas Especiais), o aluno pode compreender os valores que estão por detrás das atitudes das pessoas e/ou criar estratégias diferenciadas de ensino, promotoras de inclusão. (O aluno poderá também) Assumir uma turma pela primeira vez, numa dramatização, permite-lhe ensaiar de várias formas um papel que será desempenhado na vida real. Ao dramatizar o conceito de "segregação" ou de "aprendizagem", por exemplo, os alunos podem trazer à tona os conceitos congruentes e incongruentes, ou as situações que fazem e que não fazem parte destes contextos. Num Sociodrama, o aluno pode experimentar as cenas mais temidas pelos professores, ou investigar os erros que os educadores mais cometem, com a vantagem de estarem num ambiente protegido."
Luzia Lima-Rodrigues
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