O administrador do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento, João Cravinho, defendeu ontem (dia 8) na SIC Notícias no programa Negócios da Semana, que a grande medida de cariz social que se devia implementar era dar a todas as crianças os mesmos direitos e oportunidade de ensino.
O ex-ministro de António Guterres e autor de um plano de anti-corrupção, é da opinião que apesar da atual conjuntura política e financeira, existe margem de manobra para se investir no Estado Social. Apesar da austeridade que o memorando da troika impõe ao estado português, existe espaço para a implementação de medidas capazes de investir no “capital humano”.
Segundo Cravinho, uma das primeiras medidas a adotar, no que concerne ao Estado Social, é a criação de condições para que todas as crianças, na 1ª infância (eu diria 1ª e 2ª infância), possam ter um bom desenvolvimento cognitivo e emocional.
Tal como afirmou no programa, e como já foi escrito neste blogue, a 1ª infância e a idade pré-escolar são um período de grande desenvolvimento da criança quer cognitivo (maturação das estruturas), quer sócio-emocional.
Estudos recentes mostram que as primeiras experiências sociais, a qualidade da competência emocional e inter-relacional da criança, nos seus primeiros anos de vida, moldam a sua cognição e o modo como se relaciona com o outro.
Apesar das orientações curriculares para o ensino pré-escolar e do 1º ciclo conterem áreas de conteúdo relacionadas com a formação pessoal e social, era necessária uma mudança de paradigma na educação. Como essa mudança exige vontade política, e talvez não se consiga nas próximas geraçôes, urge a criação de espaços específicos onde se trabalhe de forma sistémica e ecológica a regulação emocional da criança e a suas inter-relações.
É papel fundamental da instituição escola criar condições emocionais e afectivas na criança, de forma a atingir uma independência cognitiva que lhe permita ir à procura da sabedoria de forma autónoma.
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