A forma como aprendemos, como recordamos, como falamos ou
imaginamos só é possível através de uma participação activa numa cultura, como
cidadãos de uma sociedade. Só podemos entender a actividade mental do ser
humano quando temos em linha de conta o contexto e os recursos culturais
acessíveis a ele.
A grande percentagem da actividade mental realiza-se na
presença do outro e é concebida para ser comunicacional, manifestando-se com a
ajuda de códigos e das tradições culturais de cada sociedade.
A educação não ocorre somente nas salas de aula. Ocorre
também à volta de uma mesa de um jantar familiar, onde os seus membros, através
do diálogo, procuram fazer sentido para os vários acontecimentos que aí são
abordados, ou quando alguém experiente explica a um jovem como se manipula uma
máquina (...). Assim, quando se fala em
educação, está-se a referir de facto à interacção entre a actividade mental e a
qualidade/natureza da cultura predominante.
Todas as sociedades, com a premissa de reduzir a
incerteza, perpetuar a cultura e a tradição dos seus povos, colocam ao dispor
dos seus cidadãos um conjunto de ferramentas educacionais, de modo a
capacitá-los intelectual e emocionalmente. Mas essas ferramentas educacionais
que ficam ao dispor das pessoas para se realizarem pessoal e profissionalmente,
reproduzem a própria cultura onde estão inseridas e servem os seus fins económicos
e políticos.
Por exemplo, o sistema educacional de uma sociedade
industrial deve produzir uma força laboral compatível com as suas necessidades,
de forma a perpetuar-se. Assim, neste tipo de sociedade, é normal “educar”
trabalhadores não qualificados ou semi-qualificados, quadros médios de
empresas, gerentes médios, etc, etc…e todos esses cidadãos, ao embrenharem-se nesse sistema, ficam convencidos que aquela sociedade é a mais válida e a única
maneira de viver.
Como as tendências para o desenvolvimento das sociedades
vão-se transformando ao longo dos tempos, as medidas tomadas sobre o sistema
educacional também sobrem alterações…por exemplo, mais recentemente, nesta
actual conjuntura socio-económica, faculdades de países como a Inglaterra e a India
estão a eliminar dos seus currículos o ensino das humanidades e das artes, em
prol de disciplinas mais tecnológicas.
Todo o processo que envolve a busca do conhecimento, isto
é, a aprendizagem de novos conceitos, a motivação e a atenção que são
necessárias evidenciar, é intrapessoal (depende de características individuais)
e interpessoal (depende de características contextuais e culturais).
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