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terça-feira, 19 de agosto de 2014

A Função da Educação

A forma como aprendemos, como recordamos, como falamos ou imaginamos só é possível através de uma participação activa numa cultura, como cidadãos de uma sociedade. Só podemos entender a actividade mental do ser humano quando temos em linha de conta o contexto e os recursos culturais acessíveis a ele. 
A grande percentagem da actividade mental realiza-se na presença do outro e é concebida para ser comunicacional, manifestando-se com a ajuda de códigos e das tradições culturais de cada sociedade.

A educação não ocorre somente nas salas de aula. Ocorre também à volta de uma mesa de um jantar familiar, onde os seus membros, através do diálogo, procuram fazer sentido para os vários acontecimentos que aí são abordados, ou quando alguém experiente explica a um jovem como se manipula uma máquina (...). Assim, quando se fala em educação, está-se a referir de facto à interacção entre a actividade mental e a qualidade/natureza da cultura predominante.

Todas as sociedades, com a premissa de reduzir a incerteza, perpetuar a cultura e a tradição dos seus povos, colocam ao dispor dos seus cidadãos um conjunto de ferramentas educacionais, de modo a capacitá-los intelectual e emocionalmente. Mas essas ferramentas educacionais que ficam ao dispor das pessoas para se realizarem pessoal e profissionalmente, reproduzem a própria cultura onde estão inseridas e servem os seus fins económicos e políticos.

Por exemplo, o sistema educacional de uma sociedade industrial deve produzir uma força laboral compatível com as suas necessidades, de forma a perpetuar-se. Assim, neste tipo de sociedade, é normal “educar” trabalhadores não qualificados ou semi-qualificados, quadros médios de empresas, gerentes médios, etc, etc…e todos esses cidadãos, ao embrenharem-se nesse sistema, ficam convencidos que aquela sociedade é a mais válida e a única maneira de viver.

Como as tendências para o desenvolvimento das sociedades vão-se transformando ao longo dos tempos, as medidas tomadas sobre o sistema educacional também sobrem alterações…por exemplo, mais recentemente, nesta actual conjuntura socio-económica, faculdades de países como a Inglaterra e a India estão a eliminar dos seus currículos o ensino das humanidades e das artes, em prol de disciplinas mais tecnológicas.

Todo o processo que envolve a busca do conhecimento, isto é, a aprendizagem de novos conceitos, a motivação e a atenção que são necessárias evidenciar, é intrapessoal (depende de características individuais) e interpessoal (depende de características contextuais e culturais).

Assim, embora a “educação” do ser humano dependa de si próprio, ele encontra-se inserido num contexto social que lhe é imposto, pelo sistema socio-económico vigente. Deste modo, é fácil imaginar o que pode acontecer a uma criança ou adolescente sôfrego de conhecimento mas onde os seus interesses não se coadunam com o sistema educacional proposto pela sua sociedade.

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