A afiliação, outro conceito subjacente aos grupos de Teatro e
Comunidade, segundo Carl Rogers (1902-1987), é uma tendência inerente a todo o
ser humano para desenvolver capacidades de natureza social. A tendência que o ser humano tem para
desenvolver capacidades pro-sociais, só encontra terreno fértil quando existem contextos favoráveis.
Nos grupos de
Teatro e Comunidade, são criados espaços de liberdade expressiva extraquotidiana,
em que os participantes revelam o seu verdadeiro Eu de forma criativa e artística. Assim, quando os participantes se
libertam das suas barreiras defensivas – utilizadas no dia-a-dia – e ficam
receptivos ao outro, ao colectivo e ao ambiente de confiança gerado,
entregam-se positivamente.
Outro conceito desenvolvido nos grupos de Teatro e Comunidade,
ligado à psicologia comunitária, é o empowerment.
Esta área da psicologia sistémica rejeita que haja disfunções individuais,
como causa única, e defende o princípio de ajustamento do individuo ao seu
meio. Procura intervir na comunidade para melhorar a adaptação do individuo ao
seu contexto social, de forma a promover a mudança. A mudança acontece numa
relação dinâmica entre o ser humano e os recursos existentes e disponíveis, e
reflecte-se na qualidade da adaptação realizada.
Quando existe uma intervenção comunitária parte-se sempre
do pressuposto que o grupo tem recursos próprios que são geradores de
desenvolvimento, e que é necessário fazê-los despoletar para os conectar com as
acções concretizadas pela comunidade. Nesta perspectiva, para acontecer mudança é necessário um
envolvimento e uma identificação em relação a problemáticas individuais,
sociais e politicas.
A criação de espaços de contacto entre as pessoas, como os
grupos de Teatro e Comunidade – acrescento eu –, facilita o contacto e o
suporte social para favorecer o crescimento de competências de cidadania e
democráticas. O contacto social e a troca de experiências, facilita o
surgimento de novos recursos na resolução de problemas, e faz aumentar o
interesse e a motivação para encontrar vias alternativas para a resolução das
problemáticas pessoais e sociais. Desde modo, através da criação de associações
comunitárias, de clubes e de grupos de Teatro e Comunidade, é criado um sistema
de valores, ou empowerment.
A criação de um sistema de valores, ou empowerment, em Teatro e Comunidade, é
um processo que “consiste (…) em facilitar ou criar contextos em que as pessoas
isoladas ou silenciadas possam ser compreendidas, ter uma voz e influências
sobre as decisões que lhes dizem directamente respeito ou de algum modo,
afectem a sua vida” (Rappaport, 1992, citado por Ornelas, 1997, p.385).
As práticas de teatro com/para/na comunidade, dá a
oportunidade aos seus intervenientes de experienciarem um desenvolvimento
estético e democrático. Através de uma comunicação teatral e artística, promove
laços afectivos e sociais entre os elementos dos grupos, dando “voz” aos
problemas sociais e políticos das comunidades onde se encontram inseridos.
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