O contacto com o outro, quando promovido através do jogo, contribui para o desenvolvimento saudável da criança, nomeadamente no que diz respeito a futuros comportamentos pró-sociais e interrelações positivas. Em nome da crise alguns países (ex.: India e Ingaterra) estão a eliminar dos currículos o ensino das humanidades e das artes, em prol de disciplinas mais tecnológicas. Martha Nussbaum, Professora na Universidade de Chicago, afirma que cada vez mais países, em nome da crise e de um rápido desenvolvimento económico, anulam dos currículos académicos o ensino das artes e das humanidades. Segundo Nussbaum, só estas disciplinas são capazes de incutir no ser humano a capacidade de pensar sobre si próprio, relacionar-se com o outro numa base de respeito mútuo e ter uma opinião crítica sobre a sociedade.
Através de jogos teatrais estimula-se a capacidade de se colocar no lugar do outro, a regulação emocional, lidar com o imprevisto e a imaginação (alguns destes conceitos encontram-se interligados). Desta forma as crianças desenvolvem, a cooperação, a criatividade, a curiosidade pelo outro e a capacidade de se interrelacionar de forma positiva. Assim, criam uma excelente plataforma para desenvolverem uma boa competência social. Dentro este conceito inclui-se a meta-cognição - isto é pensar sobre o pensamento -, que é essencial para desempenhar bem o papel de cidadão. Intervir na sociedade como cidadão, opinar sobre assuntos políticos, fazer prevalecer os seus direitos e deveres, são factores fulcrais de uma sociedade democrática.
"Uma vida que não se questiona não vale a pena ser vivida" cit. Sócrates.
Segundo Mussbaum, as artes (ex.: jogos dramáticos) é um meio privilegiado de cultivar opiniões criticas e empáticas pela cultura do outro, numa sociedade que incute, cada vez mais, uma "formatização" do pensamento (populações com opiniões superficiais e pulidas por preconceitos sociais).
In Courrier internacional, Setembro 2010.
A novidade que Mussbam introduz no seu livro "Not for profit: Why democracy Needs The Humanities" é a sua visão sociológica sobre a actual politica educativa levada a cabo na Europa e na Ásia.
Trata-se de uma visão actual e lúcida sobre a realidade educativa deste século XXI.
Muitos investigadores (ex. Damásio, Laborinho Lúcio, Ken Johnson) nos últimos anos têm enfatizado a importância do ensino das artes nas nossas escolas, de modo a exercitar a competência emocional e combater o desequilibrio existente entre esta e a competencia cognitiva, de forma que surjam cidadãos criticos de uma sociedade democrática.
Sem comentários:
Enviar um comentário