Apesar de as emoções terem uma origem neurobiológica, a grande maioria necessita de uma interacção entre o organismo e parceiros sociais e/ou objectos existentes no contexto imediato para se expressarem. De uma perspectiva desenvolvimentista, só se pode falar realmente de emoções quando existe uma intenção do organismo em mudar o contexto ou querer algo do parceiro social. O resultado dessa interacção são o emergir de emoções positivas ou negativas, conforme o organismo fique satisfeito ou frustrado. A maioria dos investigadores que estudam as emoções concordam em que os progenitores são os primeiros parceiros sociais da criança, e onde esta vai inicialmente buscar referências culturais e emocionais de forma a regular as suas emoções, para lidar com as mais diversas situações sociais com que vai defrontar-se em breve - e.g. fazer amigos e pertencer a um grupo de pares. Assim, a criança em idade pré-escolar tem padrões emocionais idênticos ao dos seus progenitores. No ensino pré-escolar uma turma de crianças (e.g. 10) encontram-se níveis diferentes no que concerne à competência emocional.
As metas de aprendizagem para o ano lectivo 2010/2011, no que concerne à Expressão Dramática no pré-escolar e no 1º ciclo básico, têm objectivos positivos: Actividades de "faz-de-conta", actividade que promovam a espontaneidade, a noção de corpo, de espaço, contacto com actividades culturais.
No entanto, acho prematuro falar nestas idades de construção de personagem, levar a cena peças de teatro previamento repetidas (nos ensaios) e estereotipadas (conceitos sociais muitas vezes enviezados), para futura apresentação em público (é gratificante, mas deve-se dar ênfase ao processo e não ao produto final).
Através daquilo que cada aluno tráz para a sala de aula (diferentes níveis de regulação emocional) dever-se-ia dar primazia à espontaneidade, à cooperação e ao contacto com o outro através de jogos teatrais (promovendo situações sociais de resolução de problemas).
Apresentar o trabalho final a um público e receber deste aplausos é das coisas mais gratificantes que pode haver, mas nestas idades tal não interessa, pois pode causar emoções sociais negativas nas crianças, como a inveja e o ciúme.
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