A brincadeira e o jogo representam, para a criança em idade pré-escolar, uma oportunidade de criar situações imaginárias, praticar, através da acção, os seus afectos e desejos adiados. Trata-se de uma situação apelativa, porque antes dos 3 anos a criança ainda não possui capacidade de discernir entre realidade e imaginação.
Mais do que desenvolver a imaginação, o jogo é a oportunidade de praticar, através da acção, as regras comportamentais inerentes a cada situação – ex.: regras das interrelações irmão/irmã, mãe/pai, mãe/filho.
Na brincadeira/jogo a criança tem oportunidade de praticar vários papéis sociais. Aprende a controlar os seus impulsos ou desejos imediatos, pois é “obrigada” a respeitar as regras do jogo. Por isso, adquire um auto-controlo comportamental, porque por um lado submete os seus desejos imediatos às regras (retardando a satisfação imediata), e por outro lado existe uma satisfação por as cumprir (sentimento de afiliação – uma das necessidades fulcrais no desenvolvimento humano).
Cumprir as regras do jogo é uma fonte de prazer para a criança, motivando-a intrinsecamente, ao contrário das regras que lhe são impostas no plano social (através dos pais e professores). Aos pouco adquire novas formas de satisfação, isto é, começa a relacionar os desejos imediatos com o papel que desempenham no jogo e nas suas regras, adquirindo a capacidade de os adiar (sinal de maturidade). Desta forma adquire grandes conquistas e feitos no jogo, que mais tarde balizarão quer as suas acções reais, quer a sua moralidade.
Através do jogo a criança situa-se constantemente na Zona de Desenvolvimento Proximal, pois encontra-se sempre acima do seu comportamento real. Para Vigotsky é a Zona de Desenvolvimento Proximal que provoca o desenvolvimento humano, e a criança ao criar situações diárias na brincadeira/jogo, com as suas motivações e desejos nelas imbuídas, está a envolver-se em actividades que são determinantes para o seu desenvolvimento.
Baseado em Lev Vygotsky
Sem comentários:
Enviar um comentário