É na entrada para o ensino pré-escolar que o contato social se intensifica e é neste período que a criança vai ficando ciente do significado dos sinais emotivos – e do seu impato comunicativo – em si e nos outros, e vai aumentado a sua capacidade e responsabilidade de regular as suas exposições afetivas.
Os afetos, que se dividem em positivos, neutros e negativos, fazem parte de um sistema que influencia a cognição, a decisão e a ação. Este sistema é o principal mecanismo biológico que motiva o organismo – e o interlocutor – a dar respostas positivas, neutras ou negativas às circunstâncias contextuais. Este sistema evolui através de um processo de aprendizagem social e da maturação, o que leva o organismo a adquirir novas fontes de interesse ou de desinteresse, evocando desta forma respostas afetivas positivas, neutras ou negativas.
Existem estudos, na área do desenvolvimento, que encontraram associações significativas entre a expressão de afetos positivos, o conhecimento sobre emoções, comportamentos pro-sociais e a aceitação da criança nos seus grupos de pares. Uma criança com altos níveis de conhecimento sobre emoções e de expressividade de afetos positivos tem mais comportamentos pro-sociais, o que é indicador de altos níveis de aceitabilidade entre pares.
É consensual, na literatura da psicologia do desenvolvimento, que a aceitação pelos pares, a resolução de conflitos interpessoais de uma forma positiva, além de ser o grande desafio que enfrenta a criança nos primeiros anos escolares, prediz muito do seu futuro no que diz respeito ao estabelecimento de amizades duradoras, relações amorosas e saúde mental.
A adaptação do indivíduo às situações, que acontece na interação entre as caraterísticas individuais e as experiências sociais, ocorre sobretudo na presença de parceiros sociais. Toda a informação disponível, indispensável para que aconteça um ótimo desenvolvimento, é fornecida ao indivíduo através da sua base genética, mas também é fundamental uma base sociocultural.
No cerne desta dinâmica encontram-se as emoções, que são sobretudo despoletadas e reguladas pela interação entre o organismo e o ambiente social/cultural/educacional onde se encontra inserido.
Durante os primeiros anos escolares a criança depara-se com um conjunto de novas situações sociais nas quais é “convidada” a participar, nomeadamente as primeiras interações com pares, estabelecimento de amizades e formação de grupos sociais.
Uma criança que consiga conhecer e verbalizar de melhor forma as emoções, irá gerir melhor o seu comportamento – ex.: ser menos agressivo –, os afetos e a cognição de modo a atingir os seus objetivos sociais de forma empática e pro-social.
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