Depois de uma avaliação da problemática do grupo em causa, tendo em conta todos os sistemas que o influenciam (ex: sistema familiar, escolar e de pares), deverá ocorrer uma intervenção grupal, através de jogos dramáticos e sociodramáticos. Tal intervenção deverá acontecer de forma holística, isto é, com o envolvimento dos principais intervenientes de cada sistema (ex: pais, irmão, professor…), onde a criança se encontra inserida.
Numa primeira fase, num local suficientemente amplo, deve-se permitir uma total expressividade das crianças, de modo a que não se sintam constrangidas de fazer ou dizer aquilo que realmente sentem, sem medo de errar, sem os agentes de autoridade (ex: professores e encarregados de educação) estarem-lhes a “apontar” aquilo que deverão fazer ou não. As crianças deverão sentir confiança nesse espaço, de modo que sintam a liberdade de expressão que não encontram no seu dia-a-dia. Para tal, poderão ser usados jogos dramáticos de confiança e a coesão grupal.
Numa segunda fase, e à medida que a criança vai criando confiança nesse espaço, deve-se começar a proporcionar-lhe o contacto com o outro. Através dos jogos dramáticos, de confiança e de contracena, explora-se a temática das emoções (ex: O significado de cada emoção, como cada um as sente, como cada um as percepciona no outro, como são manifestadas, como os afetos são expressados e suas consequências). No final de cada sessão é fulcral a existência de um momento de partilha, onde os intervenientes são convidados a falar sobre a sua experiência pessoal, e a forma como sentiram cada exercício. Neste espaço a criança aprende a revelar sentimentos, emoções e afetos e a ouvir diferentes formas de sentir e de se expressar.
Numa fase posterior, que se poderá chamar a terceira fase, poderá introduzir-se o método teatral de improvisação. Se bem que em contracena os intervenientes já tenham praticado cenas improvisadas, pretende-se nesta fase e com esta técnica, o desbloqueio dos filtros sociais (valores sociais, crenças, regras sociais, estereótipos, perceção de si, pensamentos auto-destrutivos). Assim, com o desbloqueio dos filtros sociais (o que a perspetiva dinâmica da psicologia denomina de super ego) a criança e o adolescente adquirem uma maior liberdade para demonstrar as suas emoções, de expressar os seus afetos e para fomentar a espontaneidade.
Para uma intervenção eficaz é necessária uma avaliação minuciosa do caso. No entanto, as linhas gerais do plano de intervenção que aqui expus, é uma plataforma de trabalho que reflete a minha experiência e investigações realizadas. Através deste plano, onde o contato com o outro é privilegiado, é esperado que as crianças e adolescentes adquiram uma salutar regulação emocional, pois ao longo das sessões os participantes vão sentindo mais liberdade de expressão (evitando desta forma comportamentos do tipo obsessivo-compulsivo, a passagem ao ato...); vão interiorizando que existem diferentes formas de se expressar e de sentir (consciencialização de que as pessoas não são iguais, por isso não é necessário seguir um único padrão; aumento do auto-conceito) ; o outro pode sentir as mesmas coisas mas expressá-las de forma diferente (ex: aumento da solidareidade, cooperação e sentido democrático).
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