A liberdade expressiva tem que ser regulada por um
conjunto de sinais e símbolos estruturados e disciplinados, pois se tal não
acontecer corre-se o risco de ser uma liberdade disforme, sem nexo e até
dolorosa. Essa estruturação não limita os processos internos de se expressarem,
dão-lhes sim uma linguagem capaz de regular e coordenar o impulso e a acção.
Neste sentido, o jogo teatral adquire na criança, a partir dos 7-8 anos de idade, uma
dupla função: De liberdade e de regulação.
No jogo teatral, a criança encontra a
oportunidade de praticar livremente, através da acção, as regras
comportamentais inerentes a cada situação social e relacional. Através de um ambiente lúdico, ela pratica vários papéis sociais e aprende a controlar os seus impulsos ou
desejos imediatos (regulação emocional), pois é “obrigada” a respeitar as regras do jogo.
Adquire também um maior controlo
comportamental, porque por um lado submete os seus desejos imediatos às regras
– retardando a satisfação imediata –, e por outro existe uma satisfação por as
cumprir – sentimento de afiliação: uma das necessidades fulcrais no
desenvolvimento humano. Cumprir as regras do jogo é uma fonte de prazer para a
criança, motivando-a intrinsecamente, ao contrário das regras que lhe são
impostas no plano social através dos pais e professores.
Aos poucos, a criança adquire novas
formas de satisfação, isto é, começa a relacionar os desejos imediatos com o
papel que desempenham no jogo e nas suas regras, adquirindo a capacidade de os
adiar – um sinal de maturidade. Desta forma adquire grandes
conquistas e feitos, que mais tarde balizarão as suas acções e atitudes em sociedade de forma positiva.
Sem comentários:
Enviar um comentário