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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A linguagem teatral

A liberdade expressiva tem que ser regulada por um conjunto de sinais e símbolos estruturados e disciplinados, pois se tal não acontecer corre-se o risco de ser uma liberdade disforme, sem nexo e até dolorosa. Essa estruturação não limita os processos internos de se expressarem, dão-lhes sim uma linguagem capaz de regular e coordenar o impulso e a acção.

Neste sentido, o jogo teatral adquire na criança, a partir dos 7-8 anos de idade, uma dupla função: De liberdade e de regulação.
No jogo teatral, a criança encontra a oportunidade de praticar livremente, através da acção, as regras comportamentais inerentes a cada situação social e relacional. Através de um ambiente lúdico, ela pratica vários papéis sociais e aprende a controlar os seus impulsos ou desejos imediatos (regulação emocional), pois é “obrigada” a respeitar as regras do jogo.
Adquire também um maior controlo comportamental, porque por um lado submete os seus desejos imediatos às regras – retardando a satisfação imediata –, e por outro existe uma satisfação por as cumprir – sentimento de afiliação: uma das necessidades fulcrais no desenvolvimento humano. Cumprir as regras do jogo é uma fonte de prazer para a criança, motivando-a intrinsecamente, ao contrário das regras que lhe são impostas no plano social através dos pais e professores.
Aos poucos, a criança adquire novas formas de satisfação, isto é, começa a relacionar os desejos imediatos com o papel que desempenham no jogo e nas suas regras, adquirindo a capacidade de os adiar – um sinal de maturidade. Desta forma adquire grandes conquistas e feitos, que mais tarde balizarão as suas acções e atitudes em sociedade de forma positiva.

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