Todos os grupos de Teatro e Comunidade são um espaço extra quotidiano, deste a cumplicidade entre os seus elementos
durante o processo criativo, até à capacidade que o colectivo adquire, de
tornar grandes as suas iniciativas e de intervir socialmente. É como se os participantes experienciassem uma espécie de transição, entre aquilo que fazem
individualmente no seu dia-a-dia e o que conseguem dizer, actuar e agir
colectivamente.
Victor Turner avança o conceito de communitas: A normativa e a espontânea.
Communitas espontânea é a que reflecte
aquilo que acontece nos grupos de Teatro e Comunidade. Aqui as pessoas quase se transcendem e sentem um
contacto íntimo com os restantes companheiros. Sentem que colectivamente
alcançam outras metas, inalcançáveis individualmente. O ambiente de communitas
espontânea é consiga nos grupos de Teatro e Comunidade, muito pela consciência
e pelo saber de quem dirige ou facilita os trabalhos do grupo. Se bem que esse
ambiente pode surgir por si só, cabe ao facilitador estar inteirado de tal
facto, e criar as condições necessárias para tal acontecer.
O pedagogo ou director do
grupo, de maneira a facilitar o contacto e a aproximação física e emocional dos
intervenientes, deverá começar por insistir que naquele espaço, os performers/não-actores, vistam outro
tipo de roupa (confortável de preferência), e retirem todos os artefactos
usados no quotidiano (ex.: relógio, telemóvel, fios, anéis e pulseiras…). Devem
acabar a socialização, e em silêncio começar uma actividade colectiva (ex.: o
mesmo exercício, uma canção ou varrer o chão em conjunto, caso existam outras
actividades naquele espaço), como se fosse um ritual, que é repetida em todas
as sessões.
Estes procedimentos ritualizados ajudam os perfomers/não-actores a criar um
sentimento comum, aquecendo-os para os trabalhos que vão decorrer. Consoante a
nível dos trabalhos e os objectivos traçados para cada sessão, os performers poderão frequentemente
experienciar transformações.
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