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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Um teatro para todos IV

Todos os grupos de Teatro e Comunidade são um espaço extra quotidiano, deste a cumplicidade entre os seus elementos durante o processo criativo, até à capacidade que o colectivo adquire, de tornar grandes as suas iniciativas e de intervir socialmente. É como se os participantes experienciassem uma espécie de transição, entre aquilo que fazem individualmente no seu dia-a-dia e o ­­que conseguem dizer, actuar e agir colectivamente.

Victor Turner avança o conceito de communitas: A normativa e a espontânea. 
Communitas espontânea é a que reflecte aquilo que acontece nos grupos de Teatro e Comunidade. Aqui as pessoas quase se transcendem e sentem um contacto íntimo com os restantes companheiros. Sentem que colectivamente alcançam outras metas, inalcançáveis individualmente. O ambiente de communitas espontânea é consiga nos grupos de Teatro e Comunidade, muito pela consciência e pelo saber de quem dirige ou facilita os trabalhos do grupo. Se bem que esse ambiente pode surgir por si só, cabe ao facilitador estar inteirado de tal facto, e criar as condições necessárias para tal acontecer.

O pedagogo ou director do grupo, de maneira a facilitar o contacto e a aproximação física e emocional dos intervenientes, deverá começar por insistir que naquele espaço, os performers/não-actores, vistam outro tipo de roupa (confortável de preferência), e retirem todos os artefactos usados no quotidiano (ex.: relógio, telemóvel, fios, anéis e pulseiras…). Devem acabar a socialização, e em silêncio começar uma actividade colectiva (ex.: o mesmo exercício, uma canção ou varrer o chão em conjunto, caso existam outras actividades naquele espaço), como se fosse um ritual, que é repetida em todas as sessões.


Estes procedimentos ritualizados ajudam os perfomers/não-actores a criar um sentimento comum, aquecendo-os para os trabalhos que vão decorrer. Consoante a nível dos trabalhos e os objectivos traçados para cada sessão, os performers poderão frequentemente experienciar transformações. 

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