Num livro de 2005, intitulado Conflito, Moralidade e Cidadania na Aula, Ana Carita justifica com muito detalhe que o ambiente vivido em sala de aula não promove o desenvolvimento sociomoral, isto é, não existe uma democracia na sala de aula. A resolução de conflitos é feita de forma autoritária e existe um fraco protagonismo dos alunos, pois há uma fraca percepção de justiça. Laborinho Lúcio, em 2008, também preocupado com os valores que a escola deverá incutir nos alunos e com o seu papel activo como cidadãos apela para uma democracia cognitiva, isto é, educar para uma desobediência crítica e cultivar nos jovens uma autonomia para impedir a alienação comportamental face aos valores da sociedade.
Apesar destas obras serem de 2005 e 2008, ainda não existe em Portugal plena preocupação para uma educação para a cidadania, pois todos os projectos que se têm aplicado no sistema educativo português ocuparam sempre um papel secundário. O papel secundário dado à educação para a cidadania, que se generaliza à maioria dos sistemas educativos incluindo o Português, deve-se ao facto de se negligenciar ou marginalizar as questões de desenvolvimento pessoal e social.
Uma educação para a cidadania assenta em dois registos: Um cívico e outro afectivo. O registo cívico inclui o conhecimento dos órgãos políticos, a aprendizagem de competências de inserção na sociedade civil, reflexões sobre problemas do quotidiano, a criação de oportunidades que habilitem os jovens para a integração e intervenção social e política. O registo afectivo inclui o desenvolvimento pessoal, social e moral, o modo como se expressa os afectos, como se experiencia os sentimentos e as emoções.
É a escola que tem um papel privilegiado de fomentar o desenvolvimento da personalidade da pessoa, através duma construção humanista e capacitá-las para participar activamente num projecto de sociedade. O conceito de cidadania assenta na dignidade humana, i.e. no pluralismo de valores que deve ser um valor a preservar, na liberdade e no respeito que constituem o cerne da autonomia individual, no respeito e na tolerância pela diferença, e num melhor conhecimento de todos através do multiculturalismo, para que os problemas de sociedade sejam resolvidos em conjunto.
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