A ideia de um teatro feito para a comunidade e da
comunidade, de modo que o seu processo e produto final chegassem a um maior
número de pessoas é ancestral. No entanto, segundo Marcia Pompeo Nogueira
(2009), é na transição para o século XX que existe uma maior aproximação do
teatro a um público não burguês.
Por influência da filosofia marxista, onde o proletariado
era a classe revolucionária capaz de conduzir a sociedade contra o capitalismo,
houve uma necessidade de levar a educação, o conhecimento e o teatro até junto
do povo. O aparecimento do chamado “teatro experimental” (ex.: não precisava de
cenário, o palco podia ser em qualquer lado e o espectador podia ser actor) foi
outra influência forte. Começava-se a fazer uma ruptura com o teatro
tradicional, tornando-os acessíveis a todos (Nogueira, 2009).
Por detrás deste movimento, estava a ideia democrática de
levar a todas as classes sociais, principalmente às mais desfavorecidas,
métodos e ferramentas capazes de transformar e abalar a ideia hegemónica de que
só a classe burguesa tinha a capacidade de intervir e decidir sobre questões políticas
e sociais. Assim, tal como a saúde, a educação e a habitação (para citar Sérgio
Godinho) que deveria ser um bem de todos, a arte teatral também constituía-se
um direito universal.
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