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terça-feira, 19 de abril de 2016

Um teatro para todos III

Apesar do teatro comunitário privilegiar a criação colectiva, os seu promotores e directores criativos sabem que a criatividade individual promove o desenvolvimento pessoal e valoriza o processo, mas também o produto final.

Todo o ser humano é um potencial criador, mas durante o seu desenvolvimento, e muito por causa da normalização das sociedades, a sua criatividade é ofuscada por aquilo que o estado/pátria espera de si, como membro da nação. Mas quando é construído um espaço extra quotidiano, onde seja valorizada a criatividade através da acção, nomeadamente através da arte performativa do teatro, todo e qualquer individuo é capaz de revelar o seu potencial criativo.

No teatro comunitário, o potencial criativo é expresso através do auxilio de técnicas de improvisação, dos jogos teatrais e das capacidades artísticas pessoais (ex.: tocar um instrumento ou cantar), possibilitando aos elementos do grupo expressarem o que sabem e o que comportam, (re)educando-os para uma via estética. A abertura criativa permite uma maior receptividade à diferença, ao outro e permite uma maior capacidade crítica em relação a questões pessoais e sociais.

É através das improvisações, dos jogos teatrais, das capacidades artísticas individuais, das histórias de cada um e de temas fracturantes que a dramaturgia colectiva surge. Normalmente são temas que preocupam a comunidade ou que surgem de memórias comuns, e deverão ser aceites por todos. 


Toda esta envolvente extra quotidiana que existe nos grupos de teatro comunitário, até à capacidade que o colectivo adquire de tornar grandes as suas iniciativas e de intervir socialmente, é o que Victor Turner dá pelo nome de comunitas espontânea. Tudo acontece quando um grupo de pessoas utiliza o teatro comunitário (neste caso) para libertarem-se da vida quotidiana e criam um espaço colectivo de camaradagem ou uma antiestrutura.

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