Apesar do teatro comunitário privilegiar a criação
colectiva, os seu promotores e directores criativos sabem que a criatividade individual promove o desenvolvimento pessoal e valoriza o
processo, mas também o produto final.
Todo o ser humano é um potencial criador, mas durante o
seu desenvolvimento, e muito por causa da normalização das sociedades, a sua
criatividade é ofuscada por aquilo que o estado/pátria espera de si, como
membro da nação. Mas quando é construído um espaço extra quotidiano, onde seja
valorizada a criatividade através da acção, nomeadamente através da arte
performativa do teatro, todo e qualquer individuo é capaz de revelar o seu potencial
criativo.
No teatro comunitário, o potencial criativo é expresso
através do auxilio de técnicas de improvisação, dos jogos teatrais e das capacidades
artísticas pessoais (ex.: tocar um instrumento ou cantar), possibilitando aos
elementos do grupo expressarem o que sabem e o que comportam, (re)educando-os
para uma via estética. A abertura criativa permite uma maior receptividade à
diferença, ao outro e permite uma maior capacidade crítica em relação a
questões pessoais e sociais.
É através das improvisações, dos jogos teatrais, das
capacidades artísticas individuais, das histórias de cada um e de temas
fracturantes que a dramaturgia colectiva surge. Normalmente são temas que
preocupam a comunidade ou que surgem de memórias comuns, e deverão ser aceites
por todos.
Toda esta envolvente extra quotidiana que existe nos
grupos de teatro comunitário, até à capacidade que o
colectivo adquire de tornar grandes as suas iniciativas e de intervir
socialmente, é o que Victor Turner dá pelo nome de comunitas espontânea.
Tudo acontece quando um grupo de pessoas utiliza o teatro comunitário (neste
caso) para libertarem-se da vida quotidiana e criam um espaço colectivo de
camaradagem ou uma antiestrutura.
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